Nesta sessão vamos discutir o artigo “Unravelling the cryptic diversity of the low-dispersal land planarian Cephaloflexa bergi to elucidate diversification processes in the Brazilian Atlantic Forest”, publicado em 2025 no Zoological Journal of the Linnean Society
Seguiremos a estrutura do artigo científico comentando os aspectos mais relevantes de cada parte.
A ideia é que todos possam acompanhar e contribuir, independentemente do nível de familiaridade com genética molecular ou análises filogenéticas.
Lembrete: não existem perguntas bobas em ciência. Se algo não ficou claro, provavelmente outros colegas têm a mesma dúvida.
Hotspot de biodiversidade (4º maior do mundo)
Fragmentação severa: 92% da cobertura original perdida
Importância das áreas protegidas (PAs)
Por que estudar a MAB é urgente?
O que são planárias terrestres?
Características básicas
Por que são bons modelos para estudos evolutivos?
Baixa capacidade de dispersão
Alta dependência de habitat úmido
Sensibilidade a mudanças ambientais
Cephaloflexa bergi: apresentação da espécie
O que são espécies crípticas?
Complexo de espécies vs. espécie única
Filogeografia: estudando a história evolutiva através da geografia
C. bergi é uma única espécie ou um complexo de espécies?
Como a diversidade genética está estruturada geograficamente?
Quais processos evolutivos e geológicos moldaram essa diversidade?
Existe reprodução assexuada nesta espécie?
15 áreas protegidas em São Paulo e Rio de Janeiro
Identificação morfológica preliminar
Importância de vouchers e códigos únicos
Por que usar múltiplos marcadores?
O que é o gene COI?
Vantagens: alta variabilidade, herança materna, sem recombinação
Limitações: representa apenas a história materna
Novos marcadores desenvolvidos para este estudo
DOM4 e DOM5: proteína de choque térmico (hsp70)
DOM6: lactato desidrogenase
Vantagens: herança biparental, maior resolução
Árvore filogenética: o que representa?
Máxima Verossimilhança (ML) vs. Inferência Bayesiana (BI)
Valores de suporte: bootstrap e probabilidade posterior
O que significa “clado monofilético”?
Diversidade haplotípica (HD): quantos haplótipos diferentes?
Diversidade nucleotídica (π): quão diferentes são esses haplótipos?
FST: mede diferenciação genética entre populações
Valores próximos de 0 = populações similares Valores próximos de 1 = populações muito diferentes
PCA (Análise de Componentes Principais): visualizando agrupamentos
STRUCTURE: identificando clusters genéticos e mistura Isolamento por
distância: distância geográfica prediz distância genética?
GMYC e mPTP: identificam potenciais espécies a partir de árvores filogenéticas
BPP e BFD: testam hipóteses de delimitação com dados multilocus
Efeito Meselson em mosaico
Indivíduos com múltiplos haplótipos muito divergentes
Possível reprodução por fissão (assexuada)
Acúmulo de linhagens celulares distintas
Todas as análises mostram dois clados principais
Separação geográfica clara
Alta divergência genética entre os grupos
Barreira geográfica atual: urbanização de São Paulo, rios Tietê e Paraíba do Sul Origem antiga: cerca de 7 milhões de anos atrás (Mioceno)
Processos geológicos do Neógeno: Soerguimento da Serra do Mar Modificações climáticas e hidrográficas
Cambury (CAM) e Caraguatatuba (SMC)
Indivíduos dos dois clados coexistem Evidência de fluxo gênico (introgressão)
Possível explicação:
flutuações do nível do mar no Pleistoceno
Ciclos de isolamento e contato Últimos 2,5 milhões de anos
Cubatão (CU): duas populações distintas na mesma localidade Petroleiros
(PET) e Itatiaia (IT): casos complexos
Menos estruturado Alta diversidade em IT e PET
Mais estruturado Campos do Jordão (CJ): grupo único e isolado
Menor diversidade genética de todas as localidades
Possível efeito de deriva genética ou população pequena Isolamento pela Serra da Mantiqueira
Discussão: Que fatores geográficos/ecológicos explicam essas diferenças?
COI mais variável que marcadores nucleares (esperado)
Maior diversidade:
IT e PET Menor diversidade: CJ F_ST geralmente muito alto (>0,8 para COI)
Isolamento por distância significativo para marcadores nucleares
Teste de neutralidade (Tajima’s D): Maioria das populações evoluindo neutralmente
Algumas exceções sugerem seleção ou expansão recente
Cenário mínimo: 2 espécies (Leste e Oeste)
GMYC: 14 espécies candidatas
mPTP: 11 espécies candidatas
BFD: suporte variável dependendo do método
Morfologia (aparelho copulatório) Ecologia Cariótipo Múltiplos marcadores moleculares
Subestimação da diversidade Impacto para conservação das áreas protegidas Cada linhagem evolutiva independente merece proteção?
Soerguimento da Serra do Mar Mudanças climáticas Separação de drenagens
Ciclos glaciais Flutuações do nível do mar Períodos de isolamento e conexão
Últimos 500 anos de destruição Megacidade de São Paulo como barreira moderna
Padrões similares em outros grupos de baixa dispersão? Áreas de estabilidade climática (refúgios)
Como esses resultados devem influenciar políticas de conservação na Mata Atlântica?
O efeito Meselson é vantajoso ou desvantajoso em ambientes fragmentados?
Que outras evidências (geológicas, paleoclimáticas) poderiam ser usadas para testar as hipóteses deste estudo?
Devemos descrever todas as linhagens como espécies diferentes antes de ter dados morfológicos?
Haplótipo
Diversidade
Espécies crípticas e complexos de espécies
Filogeografia
Marcadores moleculares (mitocondriais vs. nucleares)
Diversidade genética (HD, π)
Diferenciação populacional (FST)
Isolamento por distância
Contato secundário e introgressão
Efeito Meselson
Refúgios pleistocênicos
Abordagem integrativa em taxonomia
Hotspots de biodiversidade
Dra. Fernanda Rodrigues de Avila